queria te abraçar e te dizer num afago

queria te abraçar e te dizer num afago no pescoço, pra tu se cuidar e não ficar com raiva de nós. eu digito isso aqui e rio um pouco, até quando eu não quero me desculpar eu acabo fazendo. te olharia nos olhos e a gente saberia, não tem mais um culpado, tem? não tem mais farpas nas pontas dos dedos, nem palavras rente à jugular.

achei que nunca saberia te deixar ir, e talvez em alguns dias eu não deixe mesmo, aqui dentro. eu caminho com os pés firmes e ainda paro num lapso como se tivesse ficando algo pra trás.

a gente quer fazer tantas promessas antes de bater a porta. eu corro como se nunca mais fosse parar

como se não sobrasse nada no meio dessa confusão que nos tornamos, dói menos do que ficar no mesmo lugar e na defensiva, sem saber de onde vai vir a próxima queda. eu repito não somos assim, você concorda, até que num borrão rápido a gente apaga a luz e sai

um dia talvez por distração a gente se tope