"Como mocinha romântica que sou,

“Como mocinha romântica que sou, ainda que disfarçada de macho cínico, sempre achei o amor a coisa mais importante dos quatro cantos do universo. E para isso malhei os glúteos incansavelmente, li todos os clássicos (ainda que muitos em tenha abandonado na página 4) e me cerquei de boa música, algumas roupas sensuais e expertises coxofemorais. Foram anos praticando a inalcançável perfeição até eu entender, já com alguma maturidade e infinitos pés na bunda, que não adianta nada disso se eu for uma chata dos infernos. O homem, esse ser insuportavelmente simples, inferior e tão necessário, só está buscando, em meio a histeria coletiva de tantos hormônios com cavidades convidativas, um ser humano que cheire bem e não encha a porra do saco. Infelizmente, viver é simples. Se o primeiro Buda a ser iluminado voltasse hoje e proferisse a uma mulher a mais sábia frase já dita no mundo, do alto de uma montanha encantada toda coberta de ouro e cercada por fadas trajando neon, ele diria: seja legal. Seja legal, sua vaca. Nada mais importa.”

Tati Bernardi (via overdose-de-textos)